A diferença evidencia um distanciamento claro entre o presidente e o eleitorado evangélico, que hoje representa mais de um quarto da população brasileira. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Levantamento da AtlasIntel mostra que índice de rejeição ao presidente nesse grupo religioso é um dos mais altos já registrados, com variações por idade e região.
Uma pesquisa da AtlasIntel divulgada nesta semana revelou que a desaprovação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre os evangélicos brasileiros atingiu 85,5%. Realizado entre os dias 18 e 23 de março, o estudo ouviu mais de 5 mil pessoas e registrou um dos maiores percentuais de rejeição já observados em um recorte religioso específico.
O levantamento apontou ainda diferenças significativas conforme a faixa etária e a localidade. Entre os jovens de 16 a 24 anos, a desaprovação ao petista é ainda maior, chegando a 72,7%. Já entre os idosos com 60 anos ou mais, o índice cai para cerca de 50,8%, o que indica uma resistência mais acentuada entre as gerações mais novas.
Em termos regionais, os maiores índices de rejeição foram registrados no Centro-Oeste (65,9%), seguido pelo Norte (63,9%) e pelo Sul (60,2%). Os números mostram que a insatisfação com o governo é mais intensa fora do Nordeste, onde os indicadores tendem a ser menos desfavoráveis.
O dado adquire ainda mais importância diante do crescimento da população evangélica no país. Conforme o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os evangélicos somam atualmente 47,4 milhões de brasileiros, o equivalente a 26,9% da população, e são maioria em 244 municípios. Em 58 cidades, representam mais da metade dos habitantes.
Enquanto entre os evangélicos a rejeição é expressiva, na média geral da população o cenário se mostra mais dividido. A pesquisa aponta que 53,5% dos brasileiros desaprovam o governo federal, enquanto 45,9% aprovam. O contraste evidencia um distanciamento significativo entre o presidente e o eleitorado evangélico, que hoje representa mais de um quarto da população.
A trajetória de crescimento desse grupo ajuda a dimensionar o impacto dos números. Em 1980, os evangélicos eram cerca de 6% da população. Em 2010, passaram a 21,7%, e em 2022 alcançaram 26,9%, mantendo uma curva ascendente. Além do aumento populacional, há também uma ampliação territorial: a presença evangélica é forte em cidades de pequeno e médio porte, com destaque para as regiões Norte e Centro-Oeste.
Diante desse contingente e do alto índice de rejeição, o eleitorado evangélico se firma como um dos grupos mais estratégicos no cenário político nacional. A combinação entre crescimento demográfico e posicionamento político definido amplia o peso dessa parcela da população nas disputas eleitorais. Os dados também revelam uma divisão entre segmentos religiosos: enquanto os evangélicos concentram forte desaprovação ao presidente, outros grupos, como os católicos, apresentam avaliações mais equilibradas.
FONTE: Kadoshwr com informações da comunhão


