Tragédia no Mediterrâneo: naufrágio deixa ao menos 2 mortos e 71 desaparecidos

Publicada em: 06/04/2026 05:40 -



Barco com cerca de 105 pessoas a bordo virou perto de plataformas de petróleo na Líbia; 32 sobreviventes foram resgatados e levados à Itália.

 

 

Uma embarcação de madeira transportando aproximadamente 105 pessoas virou no Mar Mediterrâneo, resultando na morte de dois migrantes e no desaparecimento de outras 71. O barco havia partido de Tajoura, na Líbia. Trinta e duas pessoas foram salvas e levadas para a Itália neste domingo (5).

 

O acidente ocorreu no sábado (4), a cerca de 26 km da costa líbia, em uma zona de busca e salvamento controlada pelo país, próxima a plataformas de petróleo na região de Bouri.

 

Dois navios comerciais ajudaram no resgate: o SAAVEDRA TIDE, com bandeira liberiana, e o IEVOLI GREY, italiano. Eles resgataram 32 vivos e recuperaram dois corpos. No domingo, os sobreviventes e as vítimas foram levados para a ilha italiana de Lampedusa. Segundo organizações envolvidas, 71 pessoas continuam desaparecidas.

 

Relatos iniciais indicam que muitas pessoas estavam na água correndo risco iminente de afogamento. Pelo menos duas vítimas foram retiradas do mar pelas equipes de resgate. ONGs também afirmaram que uma autoridade não identificada — possivelmente a guarda costeira líbia — coordenou parte da operação.

 

O que dizem as organizações

 

A ONG Mediterranea Saving Humans declarou que a tragédia não foi um acidente isolado, mas consequência direta das políticas europeias que não criam rotas seguras e legais para migrantes. A entidade disse ainda estar ao lado dos sobreviventes e familiares.

 

Já a Sea-Watch descreveu a cena como crítica: cerca de 15 pessoas estavam agarradas ao casco virado, enquanto outras estavam na água, algumas já sem vida. A ONG informou que um avião de monitoramento ajudou a localizar o barco e a coordenar o resgate, além de impedir que sobreviventes fossem devolvidos à Líbia.

 

Em outro comunicado, a Sea-Watch criticou a demora no socorro, afirmando que essa é a realidade na fronteira europeia: pessoas em perigo não recebem ajuda a tempo. A organização lembrou que, dias antes, 19 corpos de migrantes que morreram de frio haviam sido levados a Lampedusa, evidenciando um padrão recorrente de mortes causado pela política de fronteiras.

 

Dados da ONU

 

Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), ao menos 606 migrantes morreram ou desapareceram no Mediterrâneo apenas nos dois primeiros meses de 2026 — o início de ano mais mortal desde 2014, quando os registros começaram.

 

Dados do governo italiano mostram que 6.175 migrantes chegaram ao país por mar entre 1º de janeiro e 3 de abril de 2026, número inferior ao mesmo período de 2024 (11.969) e 2025 (9.399). As principais nacionalidades são Bangladesh, Somália, Paquistão e Sudão. Até o fim de março de 2026, 1.314 menores desacompanhados desembarcaram na Itália.

FONTE: Kadoshwr com informações do IG último segundo

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