Ataque do Estado Islâmico contra comunidade cristã em Ituri, em 2021. (Captura de tela/ISCAP reprodução Barnabas Aid)
Ataques atribuídos às Forças Democráticas Aliadas (ADF) atingem comunidades em Kivu do Norte e Ituri; extremistas exigem submissão ou pagamento de imposto religioso.
Uma escalada de violência no nordeste da República Democrática do Congo resultou na morte de mais de 80 cristãos, em ataques realizados pelo grupo extremista Forças Democráticas Aliadas (ADF), que tem ligações com o Estado Islâmico. As ações ocorreram em localidades da província de Kivu do Norte, região historicamente marcada por perseguição religiosa e conflitos armados.
O ataque mais grave aconteceu em 5 de maio, no território de Beni, onde cerca de 60 cristãos foram mortos por combatentes do braço local do Estado Islâmico, conhecido como Estado Islâmico da Província da África Central (ISCAP). Dois dias depois, outros 15 cristãos foram assassinados na mesma região. Já no domingo, 10 de maio, nove pessoas morreram e outras seis foram sequestradas na aldeia de Makumu, na província de Ituri.
Em sua propaganda recente, o Estado Islâmico passou a classificar os cristãos que se recusam a se converter ao Islã ou a aceitar o status de dhimmi — condição histórica que impõe restrições a não muçulmanos sob domínio islâmico — como “combatentes”. Na tradição islâmica clássica, os dhimmi que se submetiam eram obrigados a pagar a jizya, um imposto cobrado pelos conquistadores.
Em um comunicado divulgado em canais ligados ao grupo nas redes sociais, os extremistas afirmaram: “Que os adoradores da cruz saibam que não terão segurança, a menos que se submetam voluntariamente ou paguem a jizya em humilhação.”
Um relatório recente documentou a “extensa brutalidade” praticada pelo ISCAP (antiga ADF), incluindo massacres, trabalho forçado, tortura, abusos e violência sexual. O grupo afirma ter matado cerca de 1.000 cristãos no nordeste do país desde que intensificou sua campanha violenta, em dezembro de 2024. Em 1º de abril, até 60 cristãos foram mortos no território de Mambasa, em Ituri, após recusarem o que o ISCAP chamou de “oferta generosa”.
FONTE: Kadoshwr com informações do Guiame e Barnabais AID


